Randômico


Oi, tudo bem?


Uma pergunta, um cumprimento, uma afirmação, uma mentira, ou quê?

 

Assim como as frases absurdas de placas e revistas, a comunicação verbal também me chama muito a atenção, eu diria até mais do que a escrita. Esses dias estive pensando naqueles diálogos rápidos que temos quando estamos andando na direção contrária a um conhecido, geralmente com pressa, e pra mostrar uma certa educação ou só pra falar com a pessoa mesmo soltamos um "oi, tudo bem?". A pessoa, geralmente, responde "oi, tudo bem" ou então, num comportamento "espelho" ela responde antes de você terminar a sua frase com um "oi, tudo bem?" Sim, a pessoa responde com uma pergunta - a mesma que você fez. E aí ninguém responde. As pessoas apenas seguem seus caminhos com aquela sensação de "que bom que está tudo bem com o fulano". Ou não. Nem pensam a respeito.

Falando sério, você já respondeu um "oi, tudo bem?" com um "não, cara, não tá tudo bem, perdi meu emprego, terminei meu namoro, tô mal nos estudos e tô sem grana"? MSN não conta porque é outra dinâmica. Tô perguntando daquele momento às 13:15 da tarde, quando era pra você estar às 13h no novo emprego e passa um conhecido na rua e te pergunta "tudo bem"? O que você faz? Conta a história de como você estava triste e conseguiu o novo trampo ou segue em frente a passos de Usain Bolt? Acredito que é inconsciente. Em algum momento da nossa criação brasileira nós aprendemos que isso não é uma pergunta. É um cumprimento. É o mesmo que só dizer "oi", "olá" e afins. E não respondemos.

Ultimamente fiquei nessa lombra com todo mundo que via. Eles perguntavam "oi tudo bem?" e eu perguntava de volta. Apenas as pessoas mais velhas respondem. Com frequência a resposta era "tudo ótimo, minha filha, e você?" e aí por instinto eu respondia "tudo bem também" mesmo que não estivesse. Aí parei pra pensar porque isso era estranho pra mim.

Eu acreditava que estivesse mentindo, tentando manter as aparências, esconder a realidade e outras teorias da conspiração, mas na verdade mesmo, ao responder que está tudo bem você está apenas se protegendo de perguntas indesejadas como "pooxa, de novo??", "ihhh, foi demitida é??" "tá precisando estudar hein??". Constrangedor né? Nem todo mundo precisa ficar olhando pra dentro da fossa que você se meteu. Quanto menos platéia, menos funda ela parece.

Saída da fossa, você quer que as pessoas te perguntem se está tudo bem. Só pra você responder com a boca cheia de dentes que está tudo ótimo, lindo e maravilhoso, como diz minha mãe. Aliás, minha mãe tem uma outra teoria para o "oi tudo bem". "Tem que falar que está bom pra melhorar". "O Segredo", pensamento positivo, coisas boas atraem coisas boas e uatchatchas. O fato é que tem uma música da banda Garotos Podres que mostra bem como poderia ser a conversa rápida no meio do caminho se alguém decidisse de fato responder à pergunta e falar como está se sentindo. Curte só:

 

- Oi, tudo bem?
- Tudo Bem...
...Fora o tédio que me consome,
todas as 24 horas do dia,
fora a decepção de ontem a decepção de hoje,
e a desesperança crônica no amanhã,
tenho vontade de chorar,
raiva de não poder,
quero gritar até ficar rouco,
quero gritar até ficar louco,
isso sem contar com a ânsia de vômito,
reação a tal pergunta idiota
...Fora tudo isso, tudo bem.

 

E aí, tudo bem? Comigo tudo ótimo, lindo e maravilhoso. De verdade ^_^



Escrito por Joceline Gomes às 16h17
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Vamos fazer alguma coisa!

Esperar alguém fazer ou falar que vai fazer não vale


Quinta-feira. Cheguei à rodoviária do plano piloto, o lugar mais imundo e horroroso de Brasília, daonde dá pra ver o Congresso Federal e todos aqueles prédios tortos de cartão postal (e daí?). Estou esperando o segundo ônibus que me levará para o meu primeiro local de trabalho, já que trabalho em dois lugares. Aquele barulho... acentuado pela porcaria de música da Rádio Rodoviária, como se ser pobre e pegar dois ônibus pra ir trabalhar não fosse ruim o suficiente. Mas, cadê os ônibus?? Tá certo que a gente já tá acostumado a esperar o ônibus por uma hora e que ele não tem hora marcada, mas não tem quase nenhum aqui. Eis então que a música do Calypso é interrompida por um trio elétrico, apitos e gritos de guerra. É o Movimento dos Sem Terra (MST), que chegou a Brasília numa passeata para uma reunião com um ministro. Eu saberia o nome do ministro, do ministério, do responsável pela reunião, mas não procurei e nem vou procurar. Deve ter isso em todos os outros jornais que vocês estão acostumados a ler. Mas meu texto não é sobre a reunião, nem sobre o MST, nem sobre o ministério. É sobre manifestações populares.

Com a baixaria no Senado na semana passada, muita gente ficou indignada e quis “fazer alguma coisa”. Aham, e aí? Fizeram? Com os atos secretos do Sarney, com o mensalão, muita gente ficou indignada e... e aí, fizeram “alguma coisa”? Eu só acho engraçado. Acredito num mundo melhor, acredito em muita utopia que às vezes só eu acredito, mas acredito ainda mais que muita gente é utópica por conveniência. É conveniente chegar e falar “Pessoal, precisamos fazer alguma coisa pelo Brasil! Vamos às ruas...” e uatchatcha. Mas ir, ninguém vai. Nem eu vou. Não me orgulho de dizer isso, mas pelo menos não reforço esse “fazer alguma coisa” da boca pra fora. “Se reunirmos muitas pessoas, somos mais do que eles, vamos lá!” E chegando lá, vai fazer o quê? Quebrar tudo como o MST fez algum tempo atrás, serem presos, espancados e humilhados pela opinião pública (entenda-se, pela grande mídia)?

Qual manifestação popular realmente funcionou? Olha só, vou esclarecer, não estudo história, tive péssimos professores dessa disciplina durante minha trajetória escolar e não me recordo de todas as principais, logo, não me cobrem precisão e acompanhem meu raciocínio. Sintam-se livres para discordar ou acrescentar eventos. Mas vamos lá. O impeachment do Collor é o mais recente e emblemático deles. Porém, não foi a opinião pública, os caras pintadas, quem botou o cara pra fora. Foi o Congresso. E SÓ o Congresso. Pressionado pelo povo? Talvez. Mas cheio de interesses particulares do caras lá de dentro.

O Sarney veio antes do Collor, lembram? Nossa, não é que ele continua lá dentro até hoje?? E agora, como presidente do Senado! Ou seja, se o Lula morrer, o Alencar morrer, o presidente da Câmara não puder assumir, o Sarney vira Presidente de novo, sabiam? Até convocarem as próximas eleições. E se fizerem um golpe de estado e ele virar presidente para sempre? Impossível?? Honduras viveu isso recentemente. Golpes não são coisas de um passado remoto ou de um povo atrasado. Aliás, acreditar que podemos reunir o povo como podíamos na década de 80 ou 90 é que acredito ser um pouco atrasado.

O contra argumento é: hoje temos a internet, o Twitter, o Orkut, podemos reunir milhares de pessoas com um clique, repassando e-mails. E aí? Reuniram pessoas? Reuniram sim. Num shopping aqui em Brasília fizeram um tal de “Frozen Day”, algo assim, onde vários jovens foram para o shopping, e ficaram numa posição “congelada” por 10 minutos no pátio central do prédio. Dez minutos. Congelados. Exatamente como o país está há mais de 500 anos. Parado no tempo. Isso reuniu umas mil pessoas. Sem contar aquelas que viam o troço acontecendo e se juntavam só pra fazer graça com os amigos. E o “Fora Sarney” não reúne ninguém. O “luto pelo diploma de jornalismo” não reúne ninguém. A história do mensalão, ninguém. Eu também não estava lá. Não tô falando de uma “massa” invisível da qual não faço parte como a maioria dos acadêmicos. Eu não estava lá. Eu tava trabalhando, em dois empregos, estudando, me informando pra ser alguém com uma cabeça melhor na hora de votar. Só a educação salva. Só e somente. Manifestar-se ajuda a mostrar o que te inquieta, o que te incomoda, mas não muda absolutamente nada enquanto quem está na posição de mudar alguma coisa não se mexe.

Voltando ao MST, há quanto tempo esses caras existem, reunidos, como um movimento? Mais de dez anos. Mais de dez anos lutando, se manifestando, quebrando coisas, invadindo terras, dando entrevistas, exigindo a reforma agrária. O que eles conseguiram até agora? A MP da Grilagem, que, ao contrário do que eles queriam, não deu terra a quem não tinha, ao contrário, fez com que mais pessoas pudessem comprar terras na Amazônia. Se não entendeu é porque talvez eu não tenha explicado direito, procura no Google que é melhor. Procure as informações por conta própria ao invés de esperar “alguém” fazer “alguma coisa”. Se todos fizerem isso na hora de votar ao invés de esperar a nova pesquisa Ibope pra ver quem tá ganhando, teríamos melhores representantes dentro da “casa do povo” não acham? Só eles podem de fato mudar alguma coisa. Mas só você pode colocá-los lá dentro. E aí, em quem você votou? No Clodovil? No Frank Aguiar? No Collor? Você acha que eles se importam se você quer tirar o Sarney? Você realmente acha? Em quem você vai votar no ano que vem?



Escrito por Joceline Gomes às 11h55
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Yes, eu falo palavrão

Também teriam dito no Senado, se pudesse...

Faz quase uma semana. Um barraco digno de novela mexicana no Senado Federal entre Fernando Collor, Pedro Simon, Arthur Virgilio e Renan Calheiros. Manoel Carlos não teria sequer pensado naquelas falas. Foi engraçado de se ver. Só evidenciou a baixaria que é aquele lugar e as pessoas que de lá fazem parte. Mas uma coisa me chamou a atenção. Em seu momento de ira, Collor disse a Simon: “sobre suas palavras, eu quero que o senhor as engula e as digira”.  Primeiro, eu acho que “digerir” não aceita esse modo verbal. Afinal, você não pode exigir que alguém “digira” alguma coisa... Mas posso estar errada.

Enfim, Manoel Carlos não teria pensado nessa palavra nem como nome de uma personagem do núcleo pobre da novela. Além disso, o que me fez refletir por algum tempo foi: Collor não queria mandar Simon “engolir e digerir” as palavras dele. Todo mundo sabe o que Collor teria dito se estivesse numa rodinha bar. “Ôo Simon, sabe o qui tu faz com essas palavras? Você pega elas e enfia no meio do olho do seu...” Fala se não é?? A cara de vilão do Castelo Rá-tim-bum que ele fez iria combinar certinho com essa pílula do “palavriado” popular.

Não, não tô aqui pra discutir se o Senado é uma palhaçada, se o povo de lá não tem moral, se tá tudo errado e nós devemos nos manifestar e levantar bandeiras e uatchatcha. Vou levar essa discussão surreal para outro nível. O que eu quero dizer é que um palavrão, nesse caso, seria mais esclarecedor do modo como o Ilustríssimo ladrão de poupanças, Collor, estava se sentindo.

Eu falo palavrão. Não tanto quanto algumas pessoas que conheço, não em todo lugar e em todas as situações, mas falo. E acho válido sabe? Não abusar, fala toda hora, usar como elogio, mas em alguns momentos somente um pesado e forte palavrão consegue expressar o que você realmente quer dizer. Palavrões são formas de expressão válidas que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com mais clareza.

Por exemplo: uma coisa é você estar com raiva. Outra coisa é você estar puto. Tá, que puto deixou de ser palavrão há algum tempo (deixou?) e que não se fala isso na TV (desde quando isso é critério pra alguma coisa?) mas uma pessoa com raiva não sente tanta raiva quanto alguém que tá puto. Quando você tá com raiva você diz: “poxa, to com raiva...” quando você tá puto, você diz: “Porra, to puto pra caralho!!!” Quem tá mais emputecido??? Tem outros mil casos que poderia citar aqui como exemplos, mas acredito que vocês já entenderam o recado. Até porque, não quero baixar o nível do meu blog também né? Eu gosto desse espaço aqui pra caralho!!



Escrito por Joceline Gomes às 13h15
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Vergonha alheia

Sabe quando você sente vergonha pelos outros... eu sinto. Você também sente?

A cena é a seguinte: a pessoa cutuca a outra no ônibus e fala “Caaara, há quanto tempo!” A pessoa cutucada se vira e faz aquela cara “Te conheço?”. O cutucador, meio sem jeito, responde rapidamente “Desculpa, te confundi com um amigo meu” e sai de cabeça baixa, fingindo procurar um lugar melhor no fundo do coletivo. Nessa hora, as pessoas podem ter duas reações: rir silenciosa e controladamente ou ficar com vergonha pelo incidente como se fosse você mesmo que tivesse feito a confusão. Esta última reação também é conhecida como “vergonha alheia” e eu sinto isso o tempo todo.

Acredito que muita gente também já tenha sentido isso em situações diversas. É meio inexplicável, mas a gente sabe quando e por que acontece. É aquela hora que você evita olhar na direção do que está acontecendo ou mesmo sorrir para não constranger ainda mais os envolvidos. Afinal, você mesmo está muito constrangido. Você sente vergonha por eles. Daí o nome: vergonha alheia.

Filmes, peças teatrais, apresentações musicais, gente no ônibus, gente num casamento, gente, gente, gente. Onde tem muita gente, tem uma situação embaraçosa e eu tenho vergonha alheia. Assistindo CQC, sempre tem uma piada idiota – vergonha alheia. Flashdance tem uma cena que a garota fica se insinuando com a lagosta pro cara e uma loira chega – e eu sinto vergonha alheia. Numa entrevista em grupo para um estágio há anos, uma pessoa contou sua história triste de moça do interior enquanto os entrevistadores faziam aquela cara de “próximo” – e eu fiquei com vergonha alheia. Um cara deslocado leva um fora “elegante” na balada? Vergonha Alheia. No intervalo de uma peça, uma mulher entra no banheiro com uma fila de espera enorme e solta uma flatulência digna de carro de som. Na hora que ela saiu: vergonha alheia. A Turma do Didi, Zorra Total??? Noooossa, o título deveria ser Vergonha Alheia. Agora, se a mulher escorrega do salto, se falam baixaria no ônibus ou entram na sala errada, aí eu rio mesmo. Sem maldade. É só o humor urbano acontecendo, como em Os Normais. Saber essa diferença é importante até pra você saber a hora em que as pessoas sentirão vergonha alheia por você ou que apenas sorrirão pelas suas costas.

Vergonha alheia é profissional, intelectual, em ambientes com certo nível de seriedade ou que se propõem a isso. Aliás, só isso já é motivo pra vergonha alheia – as pessoas se levarem tão a sério. Por isso, da próxima vez que algo assim acontecer, não se faça de rogado (alguém ainda usa essa frase?), espere seu colega de trabalho estar sozinho, chegue de mansinho até ele, e fale baixo em tom complacente: Amigo... vergonha alheia naquela hora que você falou que o Brasil será uma potência até 2013... o jeito que os outros caras da reunião riram me deixaram tão constrangido quanto você. Apenas queria que você soubesse que compartilhamos esse momento.

Seu amigo vai ficar lisonjeado e agradecido! Até a auto-estima dele vai melhorar com isso. Afinal, depois de um momento assim, é comum as pessoas quererem se matar, se trancar em algum lugar, dormir eternamente ou fingir que tem o controle da situação enquanto estão gritando por dentro. Esse suporte fraternal é muito importante.

Logo, passe esse texto adiante. Muita gente precisa saber que existem pessoas que sentem vergonha alheia para que outros se sintam melhor em relação ao que disseram/fizeram/deixaram de fazer. Agora, não confunda. O elenco do Pânico na TV não precisa saber que vocês sentiram vergonha alheia por eles. Eles já sabem disso.



Escrito por Joceline Gomes às 15h07
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Eu e minhas brigas homéricas

É fácil falar bem de si mesmo na internet. Tente o contrário...

Sabem quem foi Homero? Um cara que escreveu um livro interminável e “consagrou o gênero épico”. Épico é um negócio cheio de aventuras e clímax e emoções mas que não acaba nunca. Ou seja, a palavra do dia é: eterno. Sabe o que é eterna? Minha mania de querer as coisas tão perfeitas que elas nunca ficam boas o suficiente. Estou trabalhando pra melhorar isso, mas, pra mim, parece que isso também não é o suficiente. Nem comigo mesma eu diminuo a pressão. É quando mais me frustro sabe? Críticas alheias nem me abalam tanto quanto a que eu me faço quando essas pessoas terminam de falar. Eu reconheço o que fiz de errado e peço desculpas, mas quando sou eu comigo mesma, ahhh... aí o bicho pega. É uma briga imensa dentro de mim que dura mais do que o final de O Senhor dos Anéis III. Você aplaude, levanta, mas o filme reinicia, reinicia e reinicia...

Disse que as piores brigas são as minhas comigo mesma. Mas, a verdade é que as mais podres são as que envolviam meus amigos, namorados, futuros quase namorados... Já briguei porque não me carinhou no cinema, por causa de uma palavra, porque elogiou uma freira, porque não me deixou falar primeiro minha “grande notícia”, e a maaaaais mais de todas: porque não quis ficar comigo.

Esse é meu problema. Minhas razões pareciam completamente corretas até eu parar pra pensar nelas. Mas, geralmente, quando eu fazia isso, já era tão tarde, mas tão tarde, que a vergonha já tinha tido um upgrade e sido atualizada para a versão arrependimento 2.0, que ocupava todo o HD da minha mente perturbada de “C:podia não ter feito isso”.

Dizem que é melhor se arrepender do que fez do que se arrepender do que não fez, mas eu prefiro pensar que é melhor não se arrepender. Fez, fez. A merda tá feita. Lida com as suas conseqüências agora, de forma responsável e adulta. E se desculpando quando preciso/possível. Na verdade, agora, eu prefiro pensar bastante é antes de fazer. Sabe, dar aqueeela respirada, olhar em volta, pensar na caminhada até aqui e redirecionar algumas reações. Por isso este texto está no passado e não no presente.

Muitos podem pensar: que texto íntimo... ela não escreveria essas coisas antigamente. Pois é, eu não faria muitas coisas antigamente. Mas agora eu faço. E isso, pra mim, é sinal de que agora reconheço o problema e quero resolvê-lo. Quero mudar essas coisas em mim. Se isso é bom ou ruim, fica a critério de quem lê. E, citando Camila de novo, se não gostou do que leu, não lê. Simples assim. Vai ver este é só mais um desses textos meio sem pé nem cabeça que eu às vezes sinto vergonha de ter escrito. São coisas que acontecem...

 



Escrito por Joceline Gomes às 16h37
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Como assim?

Lista de frases estranhas faz a gente viajar nas interpretações...

Existe uma série de frases estranhas espalhadas pela cidade e ninguém percebe. Não vou ser pretensiosa, vai ver alguém percebe, mas acredito que ninguém parou pra escrever sobre isso. Tá, vai ver parou, mas não aqui no meu blog (got ya!). Logo, eu fiz uma lista (homenagem a Laura Maria) com o top mais de frases sem noção espalhadas por Brasília e outras Cidades Satélites do Distrito Federal (pra quem não sabe o que é isso, eu explico em um parênteses nesse texto aqui).

Mas eu não posso fazer um top 10 sem explicar o critério de seleção primeiro né? Aliás, meu top 10 não tem 10 frases. São apenas oito. Outro diferencial que precisava ser explicado. As frases vão do nível “engraçadinha, vai?” até “como assim, véi?”, de um a oito, sendo 1 a mais simples, mais vista e mais comum, que deve haver em muitos outros lugares por aí, e 8 a mais tosca na minha opinião. Inclui placas de lojas, prestadores de serviço e até chamada de jornal (chamada é aquele quadradinho que fala o que você vai encontrar dentro do jornal e em qual página. Não é a manchete, que é a grandona e geralmente sensacionalista pra você comprar o jornal. Ah, vocês entenderam. Se não, vai no Wikipédia). Tá, chega de falação, vamos lá.

1) Jogue o lixo no lixo. Siga esse raciocínio e o Brasil será o grande depósito de lixo que a Inglaterra já pensa que somos. Visualize: se é pra jogar o lixo no lixo, onde tiver lixo eu posso jogar lixo. Logo, terrenos baldios cheios de lixo, podem receber mais lixo porque o lugar do lixo é no lixo. Concorda? “Lixo na lixeira” resolve melhor essa ambigüidade.

2) Proibida a entrada de pessoas estranhas. Essa é a mais polêmica pra mim. Tá, eu sei, daria no mesmo se dissessem “pessoas não autorizadas”. É o mesmo exemplo do lixo na lixeira. Mas esse aqui, particularmente, me faz rir, porque eu geralmente vejo essa placa em hospitais públicos. Local onde, geralmente, a maioria das pessoas são de estranhas pra baixo. Mas aí caímos no relativismo da questão: o que são pessoas estranhas? São feias? Com dentes a menos? Com parafuso a menos? Com parafuso a mais? Com comportamento fora do padrão? Que se veste mal? O que define uma pessoa estranha? A série Os Normais já fez piada com isso. A mesma que você deve estar imaginando agora. E aí, você entra quando vê essa placa ou não?

3) Para sua segurança, esta estação possui câmeras que filmam 24h por dia. Ok, me respondam uma coisa: filmar já te tirou de um assalto? Filmar já consertou elevador? Filmar já evitou alguma morte? Então, como filmar pode deixar um ambiente mais seguro, gente?? Ok, tem criminosos que podem ficar intimidados com o fato de serem filmados e posteriormente reconhecidos, mas já existem máscaras, roupas com capuz e afins, sabia? Um ambiente seguro se faz de outra forma, e sequer precisa ter câmeras. Se não, espalhar várias câmeras pela cidade resolvia o nosso problema. Ah, é verdade, já fizeram isso... e resolveu?

4) Pare de fumar – tecnologia a laser. Tá certo que tem umas dependências que são mais fortes e precisam de um tratamento intenso e tal, mas... laser?? Como que um laser pode ajudar uma pessoa a parar de fumar? Se eu estiver apenas sendo ignorante aqui e alguém souber como isso funciona, por favor, deixe seu comentário, mas eu realmente viajei quando li essa. O adesivo, tudo bem. Talvez injeções... mas laser?? Respondam-me como.

5) A luz do corpo são os olhos. Você já viu essa frase de outro jeito também, não já? “Os olhos são a janela da alma”. É clichê mas é compreensível. Agora, “a luz do corpo são os olhos”??? Como assim??? Essa frase tava num grafite e foi atribuída a Marcos, ou Mateus, não lembro. Era como se fosse uma passagem da bíblia sabe? Acho que não podia brincar com essas coisas, mas que a frase é estranha, isso é. Ela não entraria na sala com a placa número 2. Quem tiver uma teoria pra explicar essa frase aqui também, será muito bem vinda.

6) Fotos de casamentos – Marcelo B., fotógrafo, álbuns no estilo fotojornalístico. Veja que homem de visão! Que mente inovadora! O cara já se intitulava jornalista antes mesmo de cair o diploma! Isso é que é visão de futuro, tino para os negócios! Como seria um álbum de casamento no estilo fotojornalístico? Quase eu entrei no prédio pra saber... Não tem aquelas fotos preto e branco com o bouquet em vermelho? Ou os noivos segurando o cortador de bolo e olhando pra câmera com sorrisos artificiais? Já sei! No lugar dessas, teria uma foto do pajem contra a luz, de perfil (crianças não podem ser identificadas sem a autorização dos pais em um jornal), com a legenda: “eu trouxe as alianças porque minha mãe me obrigou, meu sonho era estar estudando”. Ou ainda uma foto da noiva deitada num divã a la Ilha de Caras, no salão de beleza, com a legenda: “Gorete revela: sempre quis casar de branco, mas não sou mais virgem”. Isso se for um “fotojornalista” formado pela escola “Sônia Abraão”. Se for da Globo vai ser assim: “Casamento terá autoridades na primeira fila. O Presidente Lula não estará presente pois está viajando, gastando verba dos cofres públicos”. Se for da Record é assim: “Estamos aqui com a Gorete, e ela está entrando no carro que vai levá-la à igreja, vamos entrar no carro com ela? Vamos lá. O cinegrafista está entrando agora... O carro é bonito... muito legal... Vamos fazer o percurso que a noiva vai fazer... vamos lá...” E nisso vão-se dez minutos de matéria... Fotos de casamento... más lembranças... acho que eu fiz fotos em estilo fotojornalístico no casamento da minha tia. Crianças correndo, família reunida, uma garagem como salão improvisado... Vocês lembram disso né? Se não, clique aqui.

7) Entrada e saída de inquilinos. Não basta você pagar aluguel, as pessoas precisam saber que você paga aluguel. Gente, essa placa é enorme, e está numa rua super movimentada e estreita que leva de uma cidade satélite a outra. Aliás, a porta que tem essa placa também é estreita. E pequena. Uma porta normal. O que torna ainda mais difícil entender o motivo da placa estar ali. “Entrada e saída de automóveis” é compreensível. Às vezes as pessoas estacionam e fica difícil outro carro sair. Mas inquilinos?? O que pode acontecer? As pessoas ficarem paradas em frente à porta e os outros não conseguirem sair? Ahhhh, já sei, tava rolando um boato que era um bordel ou uma boca de fumo, e o proprietário quis mostrar que seus imóveis são alugados para pessoas corretas e direitas e que pagam em dia. Logo, em nome de sua honra, resolveu mostrar pra esse “povinho” que passa de ônibus na sua porta, que são inquilinos que entram e saem toda hora, e não viciados ou prostitutas. Tá, essa é a minha teoria. Mais alguém quer brincar de adivinhar?

8) Acabou. Madonna não tem mais Jesus no coração. (risos histéricos!) Calma gente, a Cabala não é do capiroto e a Madonna não fez pacto com o mal como a Xuxa (lenda urbana, tô só repassando a informação como Gugu me ensinou). Acontece que ela terminou com o namorado, Jesus Luz. (fala agora “aaaahhhh táaaa”) Vi essa pérola hoje como chamada de uma revista de fofoca que tem novelas como tema principal. É engraçado. Não assisto novela. Mas assisto muito seriado. E se alguém me conta o que vai acontecer, eu sou capaz de dar um chute na canela. Mas parece que quem assiste novela ou joga RPG em videogame gosta de saber o que vai acontecer. Qual a graça?? Ficar narrando pra Gorete, ou zerar o jogo antes do seu amigo que não comprou a revista? E a emoção? E a aventura? Onde ficam? Ichi, mudei completamente de assunto né? Mas então, fala se essa frase não é, no mínimo, engraçada? Lembra aquela do Michael Jackson né? Ai ai... vou gostar de ver as capas de jornais e revistas daqui a dez anos... Vai ser tão mais fácil viver com tanto humor. Ainda bem que caiu o diploma. Só assim seremos ainda mais agraciados com pérolas como essas...



Escrito por Joceline Gomes às 23h06
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Breakfast at Zara’s

Não sou Bonequinha de Luxo, nem Audrey Hepburn. Fazer o quê?

 Sabe, sou uma grande fã de Sex and the City. O seriado sobre um quarteto de amigas ricas e poderosas em Nova York mexe com o imaginário das mulheres em algum momento. Mas tem uma coisa que realmente não me “apetece”. Não sou fã de liquidações, compras, sapatos, muito menos salto alto. Porém, como falei, essas coisas mexem com o seu imaginário. Dá uma vontade de ser colunista, só escrever sobre minha própria vida, ganhar muito dinheiro e gastar em coisas de grife. Mas, como pude confirmar ontem, isso não é pra mim.

Vi um anúncio no Twitter (sim, estou lá) que dizia: a Zara tá em liquidação!!! (com muitas exclamações). Já ouvi falar dessa liquidação da Zara em outros momentos. Parece um grande acontecimento anual, sabe? Como a São Silvestre ou o Carnaval. Tá, não foi uma boa comparação, mas vocês entenderam. As pessoas chiques ou cool aguardam por esse momento ansiosamente.

Confesso que sempre tive medo de entrar nessa loja. Sim, chamem-me de louca, whatever, mas sei lá, tudo parece tão... esnobe. Os manequins são esnobes, as vendedoras são esnobes, a fachada é esnobe. Eu sempre tive essa impressão de que até pra entrar eu precisaria pagar alguma “taxa por utilização desse espaço super chique”, de tão caras que são as peças da vitrine. Ou seja, nada parecia muito convidativo pra mim. Mas resolvi superar essas minhas barreiras e entrar na loja. Liquidação, auto estima baixa, TPM entre moderada e intensa... vamos superar esse medo né? Vamos lá. Beleza... a loja tem um buraco, assim, no meio. As araras de roupas são pelas paredes. Não é aquela zona encontrada na Otoch, que você pode tropeçar numa arara ao desviar-se de outra. Quanto menos pessoas pra circular no ambiente, mais espaço reservado... é a história do nosso país... mas enfim, essa “chiquesa” toda não impediu que houvesse os montinhos “tudo por tantos reais”. Só que os de lá eram assim: “tudo por R$49,40” (o mais barato, só camisetas básicas), “tudo por R$ 99,90”, “tudo por R$179,90”... e assim vai. Outra dimensão pra quem comprava calcinha aos montes na Beth e Lili quando era criança. Enfim, gostei de duas camisetas e peguei quatro calças para experimentar. Parênteses: tenho uma grande dificuldade pra comprar calças. Sempre levo 20 pro provador e termino não gostando de nenhuma. Comprar calças é tarefa pra se fazer sozinha e com bastante tempo livre. Era o caso ontem. Mas...

Tá, chegando ao provador acionaram os alarmes: uma intrusa! Façam-na sentir-se mais constrangida do que ela já está se sentindo! Tá, deixa eu explicar essa piada podre que fiz agora. Aconteceu assim: a vendedora contou as calças, que estavam penduradas no meu braço esquerdo, mas esqueceu de contar as blusas, que eu estava segurando por baixo da pilha de calças. Então ela foi pegar aquela ficha com o número de peças (a deles é medonhamente grande por sinal) e eu disse “tem duas blusas também”. Ela simplesmente pegou a ficha com o número correto de peças, pegou meu braço direito, deixou em formato de arco, e passou as calças todas para esse braço. Sem me perguntar nada, sem alterar a expressão facial ou olhar nos meus olhos. Como se fosse um procedimento padrão que ela e todo mundo que freqüenta a loja já soubesse. Menos eu, que não freqüento a loja. E eu fiquei com aquela cara de “Oxi, pra quê?” Mas ela fez isso com uma doçura e leveza comparáveis apenas ao Schwazennegger em Exterminador do Futuro I. Tanto que o gancho do cabide bateu no meu queixo. Dei aquela risadinha de quem espera ouvir desculpas, mas nada. A atendente de tailleur preto e maquiagem impecável nem se abalou. Deve se achar muito importante porque trabalha numa loja tão importante onde só compra gente importante. Enfim, resolvi não deixar meus hormônios me subirem à cabeça. Afinal, vai que ela também estivesse na TPM?

Fui provar as roupas. Até que estava disposta a pagar caro pra ter uma calça ou uma blusa da Zara, sabe? Mas acontece que nem eram as roupas que não serviram em mim. Sou eu que não sirvo para aquelas roupas. Parecia que eu tinha caído dentro delas por acidente numa queda muito feia e engraçada e todo mundo a minha volta estava rindo enquanto eu me levantava. Ficaram realmente péssimas. Sem contar as vozes nos provadores ao lado: “adorei essa blusa, Emma, ela me dá pescoço”. “Ficou bem em você, mãe, leva ela”. Ju-ro! O nome da filha da mulher sem pescoço era Emma! Rolou um momento “Calma, Joceline, rir agora não”. Sem contar o momento “Será que foi na época das Spice Girls??”

Enfim, tentei tudo. Pra vocês verem meu estado de espírito, aconteceu de eu levar duas calças iguais pensando que eram diferentes. E experimentei as duas. E, óbvio, as duas ficaram péssimas. Coragem pra sair do provador né? Vai que a atendente tá ainda mais “doce” e resolve puxar meu cabelo porque eu não vou levar nada? Mas saí de cabeça erguida, entreguei as roupas e ela... nada. Nem olhar pra mim não olhou. De novo, né? Saí da loja com aquela sensação: era só isso? Só não tem arara em todo lado, nem promoção de três por R$ 10, mas tem a mesma falta de respeito que a maioria das vendedoras de roupas tem, principalmente de grife. Não que eu entenda disso né, mas posso dizer que elas poderiam ter, no mínimo, um pouco mais de gentileza, olhar nos olhos, dar um sorriso, falar um obrigada, qualquer coisa que demonstre alguma humanidade sabe?

Não comprei nada e nem pretendo. Marca por marca, prefiro cortar as etiquetas, como eu faço sempre. Pinica as costas e não serve pra nada mesmo. Roupa é roupa. Quem usa é que atribui estilo ao que veste. Roupa de grife fora do meu estilo, isso sim, é que não serve.



Escrito por Joceline Gomes às 18h44
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Diplomas, jornalistas e Michael Jackson

Sim, eu falo disso tudo no texto abaixo

Depois de quatro anos estudando, aprendendo, ralando, gastando muuuuuita grana com livros, passagens, cópias, crédito para celular, horas na internet, procurando estágio, fazendo trabalhos, essas coisas, resolveram que não precisa mais do diploma pra ser jornalista. Assim, simples assim. Não precisa mais gente, ei, deixa disso. Acontece que, há algumas semanas (quem souber a data exata, não brigue comigo, tenho uma memória meio ruim e uma noção de tempo péssima), o senhor excelentíssimo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, votou a favor do fim da obrigatoriedade do diploma em jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. Aha! Claro que esse trecho não fui eu quem escreveu. Isso é o que os jornalistas estão dizendo por aí para ficar mais bonito e jornalístico o que aconteceu.

Para mim foi assim: o Gilmar Mendes, aquele cara que tem capangas e que vai botar um deles pra seguir e matar o Joaquim Barbosa qualquer dia desses, resolveu que seria legal os donos dos grandes meios de comunicação brasileiros empregarem seus filhos sem precisarem pagar quatro anos de faculdade. Aí ele disse assim: jornalista não precisa de conhecimento técnico/científico. Ah é, senhor ministro? Então me explica uma coisa: o senhor sabe o que é uma reportagem de perfil? O senhor saberia fazer a resenha de um filme? O senhor sabe o que é a teoria do gatekeeping? O senhor sabe o que é um lide? Um nariz de cera? Um olho de matéria? Ou a diferença entre um artigo, uma matéria, uma nota, uma manchete ou uma reportagem? Ou entre uma matéria quente e uma matéria fria? Ou ainda a diferença entre um personagem, um contato e uma fonte? Pois é, senhor excelentíssimo... o senhor não sabe. Logo, o senhor não poderia ser um jornalista. Porque qualquer jornalistasinho precisa saber dessas coisas pra escrever qualquer porcaria sobre qualquer excelentíssimo ministro que quer mais que esse país exploda. No dia que todo mundo souber essas coisas, e souber fazer todas muito bem feitas, aí talvez eu concorde que essa profissão não precise de diploma. Mas até lá, eu acredito que sim, nós, jornalistas, precisamos de diploma. Porque só dentro de uma universidade nós conseguiremos aprimorar um talento que muitas vezes já temos, mas também poderemos conhecer obras, autores, filmes e teorias que enriquecem nosso conhecimento de mundo, e nos torna mais aptos para falar sobre qualquer coisa.

Sabia que Foucault e Barthes falaram sobre simplesmente tudo que você imaginar? Sabia que eu li os dois durante o meu curso? Sabia que eu passei a admirar a arte durante uma disciplina chamada Elementos de Estética em Comunicação? Sabia que eu aprendi a ler um livro de fato, analisando seus enredos e temáticas, durante meus anos na universidade? Sabia que eu não fui a única?

Esse país é uma piada... ao invés de tomar decisões para incentivar e aprimorar o ensino superior, suas autoridades resolvem que o ideal mesmo é ter cada vez menos pessoas qualificadas cuidando de uma já deficiente comunicação de massa. Há que se considerar seus pontos positivos, claro... er... bom... um técnico operador da mesa de uma rádio pode escrever matérias quando o jornalista responsável estiver de férias, sem que, por conta disso, se contrate outro jornalista temporariamente para receber um salário justo. Sejamos realistas, a idéia é essa: diminuir os salários. Em época de crise, o que puder ser feito para baixar os gastos de uma empresa será feito. O técnico de som não vai receber mais por escrever matéria. Por que uma empresa pagaria mais caro para alguém com graduação e pós-graduação se o cargo não exige nível superior?? Sacaram?

A pergunta que fica é: qual será o critério agora? Os “donos de empresas de comunicação” vieram a público dizer que nada vai mudar e que eles continuarão dando preferência aos graduados. Mas todo mundo sabe que agora o negócio tá esculachado. Vai ser assim: “Hummmm, que descrição no Orkut mais interessante... acho que vou contratar essa pessoa.” “Nossa, que Twitter atualizado! Ela deve ser ótima para cobrir eventos em tempo real, tá contratada!” Enfim, é triste.

Ainda tem a morte do Michael Jackson no meio, pra complicar tudo. Aliás, a cobertura da morte dele deve ser a primeira dos “jornalistas sem diploma”. Vi cada barbaridade hoje... uma jornalista que pede para as pessoas na rua cantarem um trecho de uma música do Michael Jackson e fica rindo na cara deles; outra que quase senta nos CDs de coleção de um “grande fã”; outra que vai pro Ibirapuera e pede pra um “grande fã” dançar e tenta imitar os passos... a essa altura, o Brasil está cheio de “grandes fãs”, né? Mas o melhor mesmo foi a manchete do Meia Hora, do Rio de Janeiro, que diz: “Nasceu negro, ficou branco e vai virar cinza. Descanse em paz, Michael.” Criativo, né? ... sem comentários... A cobertura da morte de Michael Jackson mostra o que vem pela frente no país dos “quiiiii, diploma pra quê?” Não basta Michael Jackson ter morrido, é preciso saber porque ele morreu. Aliás, é preciso saber quem é o culpado. O que aconteceu? Quem estava lá? Tem foto? Tem vídeo no YouTube? Quais foram as últimas palavras dele? Ou seja, querem que o cara volte do além pra responder perguntas. Mas eu tenho uma novidade. Jornalista muitas vezes interpreta as coisas como bem entende ou segue o que outros estão fazendo para que, com isso, não veja que está fazendo algo errado, e é exatamente aí que se enrola. Porque hoje vivemos na cultura do sensacionalismo, do “eu posso falar mais sobre isso”, e mostrar parente, amigo do parente, testemunha que viu o amigo do parente falar para o parente sobre o falecido... é grave. E eu aprendi a perceber essas coisas dentro de uma universidade. Mas enfim, reflexão pra quê? Diploma pra quê? Estudar pra quê? Eu vou é fazer uma lipo, implantar silicone na bunda e no peito, “compor” um funk e ir pra Furacão 2000. Lá também não precisa de diploma. A questão é que eu tenho um. Será que isso dá um funk?



Escrito por Joceline Gomes às 22h56
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Minha primeira crise aérea

Não foi tão emocionante como há três anos, mas teve seus momentos

 Não sou de seguir a moda. Geralmente, só gosto de alguma coisa muito tempo depois ou muito tempo antes dela ser up. É uma espécie de vaidade e desejo de exclusividade que tenho. Estou no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e hoje, após mais de dois anos que a Globo fazia plantão nos aeroportos brasileiros, estou tendo meu momento crise aérea. Calma, deixe-me explicar como foi que cheguei aqui. Um momento flashback, como em Lost. É o seguinte: namoro a distância. Mulher prevenida que sou, sempre comprei as passagens com pelo menos um mês de antecedência. Pra ficar mais barato sabe? E também pra ficar contando os dias com um prazo definido pra essa agonia acabar. Porém, não contava com uma demissão (pois é...) uma semana antes da minha viagem (pois é...²) Tudo bem, eu posso entregar currículo no Rio. Mas eu não contava que, no domingo, um dia antes da minha viagem, meu namorado iria torcer o joelho e ficar engessado e de repouso por 15 dias. Ou seja, os currículos que levei eu trouxe de volta.

Beleza, contatos e mais contatos depois, descolei uma entrevista em Brasília. Bastava eu ligar para agendar. Quanto mais cedo melhor né? Volto para Brasília na segunda! Porém, eu tinha marcado meu vôo de volta para muito cedo. E eu teria que acordar ainda mais cedo para estar no aeroporto a tempo. Logo, vou remarcar. O quê? Passagens para segunda-feira de manhã depois de um feriadão? R$1200 a mais barata. Ou seja, o dobro do que eu paguei dois meses antes. “Moça, não tem na terça-feira na mesma faixa de preço que eu paguei antes?” “Tem sim, terça dia 16 né?” Que bom, passagem comprada. “Seu vôo foi marcado para o dia 17 às 10:28, senhora.” Peraí! Se segunda é dia 15, como terça é dia 17? “Senhora, não tem mais como mudar, já está comprada e se quiser mudar nós vamos estar cobrando mais uma taxa de alteração.”(sic) O modo ríspido e ameaçador como a atendente falou comigo só faltou acrescentar um: “e tenho dito! Hum!”.

Tá, liguei na ouvidoria e registrei uma reclamação. Aliás, essa é a segunda que faço esse ano. Não sei qual é o problema desse povo da Webjet. É uma companhia nova, que quer conquistar clientes, mas toda vez que preciso de informações ou fazer alguma alteração, seja por telefone ou no aeroporto, sou mal atendida. Para vocês terem noção, uma atendente já chegou a me dizer: porque você não pega logo o dinheiro de volta e compra em outro lugar? (!!!!) Eu hein. Eu que não sou e nunca fui vendedora – a não ser um dia que fui pra feira na véspera do dia das crianças e foi uma lástima – sei que não se deve tratar um cliente assim. Enfim, na terça, me ligaram da central de vendas e me deram a opção de voar a noite. Só que já passavam das 3 da tarde. Eu teria que me arrumar e sair voando pra chegar a tempo. Literalmente. Deixei pra quarta mesmo.

Beleza, acordei 5:30, saí de casa às 6:30, cheguei no aeroporto às 9:38. (!!!!!) Fiz o check-in e fui pra sala de embarque. Detalhe: não tinha o número do portão. Vai avisar no telão, disse o atendente. Tá, né? Chegando lá, cerca de 10 pessoas em volta do telão principal. Isso não parece bom. Já estava na hora prevista para o embarque e nada de aparecer o número do portão no monitor. Quando eu decidi sair daquele montinho e ir de portão em portão perguntando “é aqui que eu entro?” vejo no horizonte uma pessoa vestida com o uniforme da Webjet vindo em nossa direção. “Senhores, este vôo foi cancelado, vocês serão realocados num vôo da Gol ou no próximo vôo da Webjet, às 13:15.” O relógio marcava 9:50 da manhã. Beleza, desce pro saguão e vamos esperar informações. O que era um grupo de 6 pessoas virou uma galera emputecida com uns 40. Aí começou a brincadeira: eu tenho compromisso; eu tenho que estar em Brasília às 2; eu tô passando mal. Como se entrar num avião fosse terapêutico, como se ninguém mais tivesse compromisso, como se as pessoas estivessem adorando estar ali, sem saber o que vai acontecer poucos dias depois de um avião ter desaparecido em alto mar.

Eu achava muita graça daquele circo. E ria. Mas parece que eu não tinha esse direito. E logo os senhores enfiados em seus caros paletós e carregando suas malas de rodinhas que levavam notebooks HP me repreendiam com olhares de “qual é a graça?” A graça é vocês fazerem esse auê por um problema que já está sendo solucionado. Aí vinha o funcionário da Webjet e todo mundo se agrupava em cima dele. Eis uma notícia: “tenho os 15 primeiros bilhetes. Os próximos estão sendo feitos pela Gol. Então aguardem que todos serão chamados.” Não foi suficiente. Mas eu sou maior de 65 anos; mas eu fui o primeiro a chegar; mas que porra é essa? Sim, tinha gente que apelava. Enfim, cada vez que o funcionário chegava era aquela expectativa. “Será que vão me chamar ou eu vou ficar pro vôo de 1 da tarde?” Aí rolava o momento “fui escolhido”, que era quando chamavam seu nome e você fazia aquela cara de “ihu, vou agora, e vocês só mais tarde hahaha”. E aí paravam de chamar mais nomes. As pessoas logo murchavam e voltavam àquele estado sorumbático de quem espera notícias de um parente em cirurgia.

Me chamaram! Logo agora que eu já tinha sentado no chão e estava começando a me acostumar com a idéia de ir só mais tarde... Enfim, em seguida, vem a hora de entrar no avião, onde você se sente uma penetra numa festa de debutante. Parece que você ta usando jeans C&A numa festa de longos Versace. O melhor é a cara das pessoas quando te vêem entrando. Dá vontade de rir. Mas não posso. De novo. Mas o que me dá vontade de rir mesmo é que, pela primeira vez, estou com medo do avião cair. Vai saber, né? Gol já caiu uma vez. E se a Webjet não tivesse cancelado o vôo, talvez fosse a próxima. Enfim, a senhora ao meu lado rasgou a página da revista da Gol. Era um artigo sobre o amor no casamento. Esquece a parte dos Versace. Pelo visto, todos parcelamos nossas roupas por aqui.

Cheguei em Brasília 12:20. Um bom tempo depois da aventura ter começado. Rolou o momento sentar no chão. O momento protesto. O momento tiazinha passando mal. Os momentos da crise aérea. Quase três anos depois.



P.S: Este texto não segue as novas regras ortográficas da língua portuguesa. E acho que não vou seguir por aqui. Vôo continuará sendo vôo pra mim. ^^



Escrito por Joceline Gomes às 22h34
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Carta a um coitado anônimo

Quem sabe um dia você lê e sabe que é exatamente de você que eu estou falando

Respeito não se impõe ou pede: se conquista. Tudo que você conseguiu foi medo, e com isso não se tem lealdade, credibilidade e muito menos o “respeito à hierarquia” que você tanto preza. Sinto pena de você. Anos sem férias, dois trabalhos, folgas só aos finais de semana... Deve ser difícil ser feliz assim. Talvez por isso você não queira ver mais ninguém feliz. Você ganha tanto, está sempre querendo ganhar mais, porém, não tem com o que, com quem e nem como gastar. Tempo não tem, nem amigos pra um barzinho ao final do expediente. Aliás, quem iria querer ir a qualquer lugar contigo ao final do expediente? Nós, os funcionários, sem nome e sem identidade, apenas com uma pasta funcional no fundo de um armário recém-organizado por você, contamos os minutos para ir embora e nos vermos livres desse clima pesado e horroroso que paira no ar desde que você entrou. Com isso, a produtividade caiu muito, o clima organizacional está horroroso, ninguém mais tem ânimo para trabalhar, e só você pensa que está tudo muito melhor com a sua chegada. Mas o que importa? Você não percebe nenhuma dessas coisas. Sua função é ver se sai menos dinheiro do que entra.

Tenho pena sabe... não se pode tratar ninguém bem quando você mesmo não se trata. Piadas?  Só homofóbicas ou com coisas de trabalho. Coisa de tirano. Sinto pena de ver um órgão tão longe de um exército virar um em tão pouco tempo. E não pense que eu não sei que meu computador estava sendo monitorado. Queria ter alguma prova pra te colocar na justiça. Você gosta tanto de leis né? Seria legal ver todas contra você. Eu com dois advogados de um lado da mesa e você do outro. Acuado. Como eu fiquei em outro momento. Lembra? Ah, acho que não né? Só quem apanha que lembra, Quem bate esquece. Pois é, eu não esqueci. Mas um dia eu irei. Porque tudo no mundo tem ação e reação. Aqui se faz aqui se paga. Quanto mais rápida a subida, maior a queda. E todos esses ditados populares que dizem a mesma coisa: um dia a gente paga por tudo de errado que fizemos nesse mundo. E você sabe que fez algo errado, não sabe? Se não souber, não vai ser eu quem vai te explicar o que foi nem contra quem. Mesmo sendo tão explícita assim é possível que você não entenda a mensagem. Porque você não entende nada que não sejam leis e números. E eu sou péssima nas duas coisas. Logo, deixo esta carta aqui para a posteridade. Quem sabe um dia você passe por aqui e leia. E talvez você se lembre do que fez e a quem.



Escrito por Joceline Gomes às 14h47
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Kjiasd*


Quando não é uma coisa, é outra. Computador não funciona? Compra outro. É?


          Eu não dou muita sorte com computadores e mesas. Quando consigo uma mesa, não tem gaveta. Quando consigo um computador, não tem monitor. Quando eu consigo um monitor, não tem mesa. Quando eu consigo uma mesa com gaveta, o monitor fica desregular e balançando, e eu tô com uma puta dificuldade de escrever com essa coisa balançando a cada nova tecla que eu digito. Sem contar que estou no BR Office, o pior programa editor de texto que conheço. Detesto. Odeio. Você passa toda a sua formação estudando e aprendendo a mexer num trem pra não ser ele que você vai usar na sua vida profissional, porque a empresa prefere trabalhar com software livre. Vou te contar viu... É como disse uma jornalista de um sindicato aqui em Brasília: “quer ser livre, que seja melhor”. Chega a ser uma metáfora. E eu concordo.

          Vejam o caso do Linux. Quiseram instalar esse programa operacional em todas as máquinas daqui onde eu trabalho. A resistência foi forte. Não que as pessoas (inclusive eu) não concordem com a idéia do software livre. Pelo contrário. Apoiamos, damos a maior força. Mas precisamos trabalhar e produzir mais em menos tempo. E para os que vem com o discurso “leve a vida mais leve” ou os adeptos do movimento “slow” digo logo: precisamos reestruturar toda a organização (repito, todÁ, e o meu setor foi criado agora, com a minha entrada, realiza: vou criar todo um plano de comunicação e colocar em prática) e se ficarmos perdendo tempo procurando “onde fica o lugar de alterar o espaçamento entre as linhas?” pessoas irão perder informações e iremos descumprir prazos. Quanto a isso, na verdade, nem me importo muito, desde que o trabalho final saia bem feito, mas me incomoda isso virar uma regra ao invés de uma exceção porque de repente a empresa resolveu assumir posições políticas a partir de seus instrumentos de trabalho – os computadores.

          Na verdade, acho o Windows Vista a pior versão que já existiu. Tanta boiolagem e brilhosinho e animaçãozinha só pra tirar um arquivo de um lugar e colocar no outro. Isso me irrita. Sem contar que pesa no computador, sabia? Outra coisa que me irrita (essa mais que as frescuragens) é o fato de confundir segurança com autorização. Tudo que você quer fazer ele pergunta: “Mas você tem certeza meeeesmo que quer fazer isso?? Olha, eu sinceramente não acho uma boa idéia... sabe, tem uns perigos aí de vírus, sabe como é, a gripe suína agora... Tem certeza mesmo?” Ai não enche!!!! Esse recurso na hora de excluir ou enviar para a Lixeira, beleza, as vezes você clica ou arrasta para excluir sem querer, mas pra qualquer coisa é paia. “Ihhhh, tô sentindo que você quer instalar um programa aí... tem certeza???” Sério, nunca precisei ser questionada por máquina... acho que sei operar uma, ainda que não muito bem.

          Meu computador antigo aqui no meu trabalho era Windows XP. Perfeito. Fantástico. Umas firulasinhas, mas ótimo pra trabalhar. Word, Excel, pá e tal, massa. Agora o novo... Vista. Já começou errado. E outra: pra quem não pode trabalhar com Linux, como nós, do setor de Comunicação, porque não existe alguns programas de edição de vídeo para esse trem, não pode instalar programas piratas. Afinal, a política do software livre é não haver mais pirataria. Logo, se você precisa do Windows, agora compre todos os programas originais, bonitinhos, nas embalagens, com número serial e tudo mais para trabalhar. Ou seja, estaremos sem condições de trabalho por um loooongo tempo, até que seja feita uma licitação para os programas de que precisamos. Complicado. Até lá a gente se vira como pode, pegando os CPUs antigos e substituindo tudo.

          Eu achava que trabalhar num lugar onde não se faz nada fosse um máximo. Mas sério, é terrível. Ainda mais quando você tem milhões de coisas para fazer, quer fazer, e não pode por falta de estrutura, de programa original. Ter coisas a delegar já não é divertido, agora delegar num lugar onde se tem muito a fazer mas não há estrutura pra fazer... aí piora. Ah, só pra constar, meu monitor continua balançando enquanto digito no BR Office... adoro.


*Teste para ver se o monitor iria balançar se eu digitasse. Ele balançou.

**Adoro o lugar onde trabalho, quero implementar tudo que pensei, mas sem programa, pô, não dá, né?

 



Escrito por Joceline Gomes às 16h50
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Sem medo

Certa vez, ouvi que a sua imagem é construída pelo olhar dos outros. E isso é totally verdade. Pense num espelho. Você só consegue se ver se olhar para ele, certo? Assim é a sua reputação, sua imagem, sua personalidade. Você tem uma formada, mas só quem pode dizer sobre ela é quem está de fora. E às vezes isso não bate com o que você acredita que realmente é. É como aquele dia que você jura que arrasou na festa, mas quando se olha no espelho percebe que estava com um pedaço de papel higiênico na testa.

Você pode se achar um amor de pessoa e, no entanto, ser chamada de "bruta". Você pode se considerar a pessoa mais tranqüila do mundo e todos "medirem as palavras" antes de falar contigo para não "provocarem briga". Você pode acreditar que só faz o seu melhor, mas as pessoas chamarem isso de perfeccionismo. Enfim, existem muitos mal-entendidos (com hífen ou sem hífen?) nesse meio caminho. Mas acredito que o item que mais me incomoda é o da briga. As pessoas, hoje em dia, fazem de tudo e mais um pouco para não entrarem numa briga. Ainda que seja para defender suas opiniões. Nem que seja para sustentar um ponto de vista comprovadamente verdadeiro. Eu chamo isso de "um boi para entrar numa briga e uma boiada para sair dela". Às vezes, as pessoas só não entram para evitar sentir raiva do outro, pois o importante é amar a todos, sempre, em qualquer situação. Eu nomeei isso de "repressão social, religiosa e pessoal ao ódio e à raiva".

Sempre ouvi, desde criança, que sentir ódio fazia mal, que era um dos piores sentimentos da raça humana, e que senti-lo era terrível e feio e uatchatcha. Cresci com isso, e sempre que sinto raiva de algo, de fato, passo mal. Meu corpo somatiza problemas emocionais e mentais que tenho e sinto dor de verdade. Nos braços, ombros, cabeça. Já cheguei a ter febre. Mas como evitar sentir essas coisas? Deixando de sentir raiva ou tentando dizer a si mesma que "não, você não pode sentir isso?" No meu post anterior eu disse "Me odeie, Me deteste, mas não deseje que eu seja feliz". É essa a idéia. Sério. Se você me odeia, permita-se sentir isso. Se você tem medo de mim, permita-se. Diga. Em voz alta. Já diria os poetas com calça de lycra: não se reprima.

Sentimentos reprimidos, isso, sim, faz mal. Super amigos, super com medo um do outro. Não entra na minha cabeça. Tenho passado por situações assim ultimamente e tudo isso me faz pensar muito. Não sei me expressar muito bem a respeito, mas sei que sinto esse medo, que todo mundo já me falou a respeito, menos a pessoa que o sente. Eu sei que você consegue. Tenta. Try me. Não vou abandonar a amizade ou me sentir diminuída ou, pior, superior. Acho que amizade não envolve dizer o que você acha que o outro quer ouvir, mas dizer o que ele precisa ouvir. Posso adiantar aos poucos leitores do meu blog que estava até pouco tempo numa fossa que transbordava de tanta merda. Mas tive amigas que me apontaram o dedo na cara e me falaram coisas que me fizeram chorar. Raiva delas? Nenhuma. Absolutamente. Elas me acordaram para uma realidade que eu achava ser problema de percepção alheia. Mas que era problema no meu espelho social. Eu me via de uma forma e os outros de outra. Mas ninguém tinha coragem de me falar a respeito.

Após essa experiência, resolvi fazer uma enquete suicida e perguntar, no meio de conversas cotidianas, se meus amigos sentiam medo de mim. As respostas? "Às vezes", "ah... um pouco né?" Não se reprima, não se reprima, não se reprima... um, dois, três, esquerda direita, não se reprima, não se reprima... poooooode gritar! Acho que elas estavam com medo de me dizer que sentiam medo, porque tinham medo do que eu poderia fazer com elas depois da informação.

Queridas amigas(os), não sou o incrível Hulk, não sou o Osama Bin Laden, tampouco o Bush, que enforcou seu maior inimigo e colocou as imagens na Internet pra todo mundo ver. Não tenho inimigos. Mas tenho pessoas que odeio e que me permito odiar. Apesar do que minha mãezinha me ensinou. Esse ódio me liberta de doenças, dores, e de mentir pra mim mesma, e só de evitar tudo isso me sinto muito bem. Sendo assim, batam na minha cara, me xinguem, parem de falar comigo, só não finjam mais não sentir medo. Eu sinto ele saindo de vocês. Mas apesar de tudo, repito: não precisa ter medo de mim. Apesar de tudo, sou apenas alguém com defeitos mal administrados. Como vocês. E eu adoro os defeitos de vocês. Me faz me sentir humana. E eu adoro isso. Logo, se faço vocês sentirem medo, saibam que eu sinto muito mais de perder vocês por besteira. É sério. Não faria nada com vocês. Sei que grito, brigo as vezes, me descontrolo, mas alguém precisa sair desse marasmo que é a vida urbana cotidiana. A gente vai, volta, entra e sai, e todos falam baixo, abaixam a cabeça, não falam palavrão, "pois não, senhora", "correto, senhora", "entendo, senhora" e acham que está tudo bem. Enfim, não quero me justificar citando a "sociedade", mas só queria mostrar que sou assim e sou feliz. E achava que vocês entendiam e aceitavam quem sou, não por medo, mas por amizade mesmo, aceitar o outro como ele é, lembram?

De qualquer maneira, o medo é um sentimento que nos protege de nos jogarmos de um prédio, sermos comidos por crocodilos ou quebrarmos a cara com algumas pessoas. Mas ele também nos impede de viver muitas experiências que transformam nossas vidas para sempre e nos tiram de um estado semi-vegetativo estudo-trabalho-balada. Já diria O Rappa: paz sem voz não é paz, é medo. E medo paralisa. A todos vocês, meus amigos, minhas mais sinceras desculpas por qualquer coisa que eu tenha feito pra despertar esse sentimento, e o último dos meus conselhos: keep moving.



Escrito por Joceline Gomes às 00h00
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Momento "Nome Próprio"*

 

Não quero seu querer

Nem aceito seu desejo

Fique com essa felicidade para si mesmo

 

Me odeie, me deteste

Mas não deseje que eu seja feliz

Do seu desejo, não preciso

Basta o meu próprio de sê-lo

Longe de você e de todas essas lindas promessas

 

Não adivinhe meu pensamento, minhas intenções, meu sofrimento

Você não me conhece

E nem um dia irá

 

Aceito seu desejo

Mas só serei feliz no dia em que entender

Que isso sempre vai acontecer

E que eu sempre vou superar

 

*Quem assistiu ao filme, sabe que a personagem principal tinha umas palas de escrever coisas assim. Então... parafraseando Camila: Não gostou, não lê. Simples assim.



Escrito por Joceline Gomes às 23h07
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Caso da menina pobre sem nome

 

Vocês lembram da menina Isabela né? E da Laila Luiza Ferreira, vocês lembram?

 

Tem um assunto que já morreu, literalmente, mas não canso de ficar indignada com o sensacionalismo nele envolvido. O caso da menina Isabela. Essa frase quase que virou até uma palavra única me fez começar a escrever um texto a mais de um mês. Mas preciso dizer o quanto todo aquele circo montado em frente à casa dos Nardoni, como se outra criança fosse ser jogada a qualquer momento e eles quisessem filmar ao vivo e a cores me deixou desesperada de raiva. E não, eu não vou apresentar nesse texto nenhuma entrevista exclusiva com ninguém. Até porque, a essa altura, todo mundo já falou o que devia. E o que não devia também.

Lembro de estar passando em frente a uma TV em Caldas Novas e vendo o casal Nardoni dando uma entrevista exclusiva. Na hora, me veio um pensamento: "o que esses jornalistas fazem pra conseguir essas entrevistas? Ameaçam de morte?" Porque só pode ser isso. Não é possível. O Brasil inteiro te odeia, quer te ver morto, aí você vai com a cara mais lavada do mundo para a maior emissora do país falar que é inocente?? Não interessa se é ou não. O fato de você precisar ir para o maior canal aberto da TV brasileira mostra que de alguma forma você estava desesperado. Ou então que os repórteres dessa TV te apurrinharam tanto que você não tinha outra opção. Eu fico com a segunda.

Outra coisa: esse caso dessa menina só foi notícia porque ela era branca e morava num prédio de classe média alta. Não, não estou falando isso de brincadeira, nem de zuação, nem por complexo "sou negra e o mundo me odeia por isso". Estou falando isso porque é fato. Aqui perto do Distrito Federal, no município goiano de Santo Antônio do Descoberto, houve um caso bem mais sinistro na mesma semana do "Caso da Menina Isabela".

Um casal formado por um cara de 42 e uma menina de 15 ANOS, repito, 15 ANOS, matou Laila Luiza Ferreira, uma menina de 9 anos. Antes de morrer, a menina foi espancada, estuprada e enforcada. Ela foi enterrada de cabeça para baixo no quintal da casa onde o casal vivia... Sem comentários. O que temos nesse cenário? Pedofilia, estupro, agressão, ocultamento de cadáver... o que temos no "Caso da Menina Isabela"? Uma criança moradora de prédio nobre morta por alguém tido como "normal". O que temos de diferente? A menina que morreu no Goiás não era rica, nem os pais, nem ninguém que ela conhecia, nem seus agressores. Ou seja, ela era alguém cuja morte não significa nada. E os culpados, ah, já se espera um crime bárbaro de pessoas pobres morando num lugar de gente pobre. Entendem o que quero dizer? Não estou questionando qual notícia é "melhor" ou "mais importante". Os dois crimes foram bárbaros, digno de 300 de Esparta, mas um quase virou filme enquanto o outro foi cuspido e escarrado da mídia por puro descaso. A vida da criança pobre não vale nada por aqui?

Coisas assim me revoltam. O desrespeito pela vida de uma pessoa apenas porque ela não tem o carro do ano, o emprego invejável ou um sobrenome que vale como herança. Odeio isso. Me dá asco. E esse caso dessa menina me fez pensar nisso. Faço humor negro com o caso, mas tenho sentimentos, ok? Me doeu saber daquilo também. Só acho ridículo fazerem uma superexposição sensacionalista desse caso enquanto o outro não recebeu quase nenhuma cobertura. Se a mídia quer show, que montem infinitos Big Brotheres. Não brinquem com a vida das pessoas ou coloquem seus interesses comerciais acima dela. E já digo logo, se eu morrer de forma escrota e vierem fazer palhaçada com o meu nome: NÃO DÊEM ENTREVISTA! E tenho dito.



Escrito por Joceline Gomes às 21h23
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Black tie, man in black, black and white

 

Porque roupa social me incomoda tanto?

 

Éramos os únicos numa entrevista em grupo para estágio. E éramos os únicos na comissão especial da reforma tributária. Eu e meu All Star social. Preto e branco. Simples assim. Chamo de social porque li em algum lugar que se você não sabe o que vestir, use preto e branco e você estará “elegantérrima”. Mas a pergunta que deve ter ficado no ar é: o que eu estava fazendo numa comissão de reforma tributária? Representando os estagiários do meu setor, off course. O Seth do The O.C também estava lá. Lógico que era só alguém parecido, afinal, o que ele faria lá? Mas, se ele estivesse lá mesmo, com seu típico All Star (social ou não), eu pediria um autógrafo. Afinal eu não seria a única a usar o sapatenho de milhões de jovens no mundo afora (nossa, clichê horrível...). Tenho uma roupa que costumo chamar de uniforme para entrevistas de emprego, é uma roupa social, dá pra usar em outras situações, mas, não sei porque, simplesmente não consigo usá-la em outra ocasião. Sem motivo também é uma cisma antiga que tenho: acho homem de terno e gravata o espécime menos confiável e mais odiável da raça humana.

Aqui abro dois parênteses. Homem de terno é como mulher de salto: estão no momento de afirmar os estereótipos. Mulher de salto = sensual, vulnerável, “feminina”. Homem de terno = poderoso, dono do mundo, rei absoluto da esfera pública da sociedade. É por isso que odeio ambos (homens de terno e salto alto).

Mas o outro parênteses diz respeito a uma confusão infantil. Sabe quando você é criança e corre para abraçar o seu pai? Aquela cena bem “papai voltou da guerra” da maioria dos filmes de guerra? Então, certo dia, minha mãe, que estava de folga, me levou para esperar o meu pai sair do trabalho. Assim que descemos do ônibus, corri com toda a velocidade possível chamando “Paiêeeee”, e o abracei forte, muito forte... abraçar o pai assim é tão legal... Só não por um pequeno problema: ele não era o meu pai.

Como eu poderia saber? O cara tinha bigode, era alto, levava uma pasta executiva em uma das mãos e usava um terno bege. Meu pai era baixo, não gostava de barba, tinha pouco cabelo, usava jeans e levava uma pasta preta escrita “Conab” em uma das mãos. Semelhante, vai? A única maneira que eu encontro para justificar esse meu erro é que eu era pequena, baixinha, não via além da cintura das pessoas a não ser que levantasse a cabeça. E outra, eu achava que meu pai já estaria esperando por nós assim que desembarcássemos do ônibus. Na verdade, não tem justificativa. Eles eram completamente diferentes. Mas o cara de terno simplesmente deu aquele sorrisinho de “ai menina, que engraçada você” enquanto minha mãe falava baixinho, ora pra mim, ora pro cara “minha filha, esse não é o seu pai, hehe, desculpa moço”. E eu, como disfarço super bem (desde criança) olhei para cima e soltei um “ah não? Hum.”

Se Freud realmente explica, ele diria que meu ódio por pessoas de terno vem daí. Mas isso não justifica o fato de eu não gostar de usar roupa social. Nem salto alto. Mas nem preciso de muito esforço para isso: calça social aperta, salto alto semi-aleija. Desconforto total. Não preciso de mais argumentos.

Independente da situação, ainda prefiro meu jeans, uma camiseta, e meu All Star – ainda que seja social.



Escrito por Joceline Gomes às 09h53
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