Randômico



A teoria da segunda perna

Fui me depilar hoje. A cera estava ainda mais quente do que o normal, e meu instinto sobrevivente de suportar grandes dores sem gritar quase me abandonou. Até perguntei pra minha depiladora: você sabe quem foi que achou que arrancar todos os pêlos do corpo era uma boa ideia? Você sabe alguma coisa da história da depilação? Existe algum livro? Existe alguém interessado em entender como isso tudo começou?

Meus momentos “revolta” sempre me trazem a necessidade do estudo e de conhecer mais sobre o assunto. Mas, na falta de Internet em casa, não há Google que possa me ajudar. Eu fico imaginando o momento do insight: e se todos nós tivéssemos pernas lisas e axilas que não armazenassem suor? Será que isso faria do mundo um lugar melhor, ou mais cheiroso, pelo menos?

Tá, eu e minhas “viagens” podemos ficar um pouco mais ausentes desse blog. Neste momento vocês devem se perguntar: afinal, qual é a “teoria da segunda perna” de que fala o título? A teoria é a respeito de algo que todos nós estamos bastante habituados a ter, mas que, às vezes, pode ser a maior fonte de frustrações e conflitos com os outros. Não, não estou falando dos pêlos, estou falando de expectativas.

O negócio é o seguinte: quando vou me depilar, vou esperando tanta dor, mas tanta dor, que quando a depiladora arranca rápida e ferozmente a primeira lasca da minha perna, digo, da cera, a dor não se compara ao que eu esperava, logo, é menor, fico tranquila. Aí, quando ela passa para a segunda perna, penso: tsaaaa, besteira, não vai doer nada, lembra que a primeira não doeu tanto assim? E baixo a guarda. Já diria Paralamas: meu erro. A segunda perna dói, cara! Dói muito! Muito mais do que a primeira!

Agora tá mais fácil pra entender do que se trata a teoria, né? Expectativas muito altas não são atingidas, já as muito baixas, te deixam desprotegida. Resumindo: expectativas geram frustração. Sejam altas ou baixas, produzem ansiedade, angústia, medo e uma série de outros problemas que criarão alguns conflitos, além de algumas somatizações.

Sendo assim, a moral da história, como fazia He-Man (Ele-Homem, em tradução livre), é: tente não criar expectativas nas coisas. Sejam boas ou ruins, as coisas já trazem em si uma série de possibilidades. Deixe que elas se desenvolvam por conta própria e vá viver sua vida enquanto isso. Lembrando: eu disse TENTE. Porque todos sabemos o quanto é difícil (quase impossível) não criar expectativas a respeito de algo. Sem contar o mantra: pense positivo. Ou seja, não basta esperar algo, você precisa esperar que esse algo dê certo, o que significa: da maneira que é melhor pra você. Não preciso dizer que “O Segredo” contribuiu nesse quadro e gerou muita frustração, né?

Então, independentemente do que disse o documentário/livro/áudio-livro narrado por Ana Maria Braga, não crie expectativas. Não estou dizendo que não é pra ter esperança, que é outra coisa completamente diferente. Estou falando para TENTAR não ir cheio de expectativas para cima dos eventos e terminar frustrado. Expectativas baixas até que não te prejudicam muito porque, como dizem, “o que vier a mais é lucro”. Mas, às vezes, isso pode comprometer a visão que você tem de outra pessoa. Por exemplo: você vai esperando tão pouco de um aluno que nem investe nele, não se preocupa com as dúvidas dele, essas coisas. Ele pode não se desenvolver tanto quanto os outros alunos.

Acho que já dei exemplos demais. Vocês já entenderam a minha teoria, que vale para muitas coisas. Alunos, relacionamentos, amizades, empregos, favores... Não exija nem espere nada dos outros. Apenas de você mesmo. Dê o seu melhor sempre, em qualquer situação, e você não ficará frustrado consigo próprio. Já com o mundo... bem, nós sabemos que o mundo é capaz de nos surpreender a todo momento. Para o bem e para o mal. Não criemos expectativas e as surpresas falarão por si próprias. E quem for se depilar aí, lembre-se: a segunda parte dói mais. Converse com sua depiladora durante o processo #ficadica.

 



Escrito por Joceline Gomes às 14h23
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