Randômico


Diário de bordo 3

Adivinha quem casou?

Pois é, casei. E foi o dia mais feliz da minha vida. Sei que é clichê, mas é verdade. Depois de meses planejando, pagando, cancelando, pedindo, ligando, escrevendo e-mails e etc, ver tudo aquilo acontecendo é realmente sensacional. Uma experiência única, maravilhosa e emocionante.

Casei no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Cruz, num sítio significativamente chamado “Esperança”. Até as coincidências pareciam combinadas... O nosso “grande dia” foi um domingo. À tarde. Sob 38º. Eu que já não sei fazer maquiagem, pedi à minha amiga fazer. Mas ela fazia e eu suava. Ela retocava e eu suava. O ventilador ligado e eu suando. Isso porque nem estava com o vestido ainda. Detalhe: eram 11 pessoas pra tomar banho e se arrumar em duas horas, com dois banheiros. Eu fui a última da fila, quando todo mundo já estava pronto, só esperando o carro chegar e levar para o Sítio. Fiquei pronta pontualmente 10 para as quatro – horário marcado para o casamento. Liguei pro meu marido (legal dizer isso ^^) mandar o carro me buscar. “O pneu do carro que trazia o padre furou, ele ainda não chegou. Ah, a fotógrafa ainda não chegou também”. Uhuulll.

Quem me conhece sabe. Passei os últimos seis meses falando: “vou ser pontual hein? Não vai ter dessa de atraso da noiva coisa nenhuma.” E de fato a noiva não atrasou. A noiva estava sentada na varanda, com a mãe e a amiga, esperando meu marido ligar dizendo que tinha terminado o ensaio com o padre e que a fotógrafa estava a postos. Mas isso só aconteceu às 17h. Eu fiquei tão puta, tão nervosa, que minha mãe não teve outra saída se não oferecer: quer um chocolatinho para acalmar? Tenho fotos me esbaldando no Sonho de Valsa.

Mas enfim, a caminho do sítio, a raiva já foi esquecida e se transformou num momento “ai meu Deus, ai meu Deus” misto de emoção, ansiedade e vontade de chegar logo. Parecia que meu casamento seria num “amanhã” que nunca chegava. Finalmente, avistei o portão do sítio. E meu marido lá na porta. Alguém deve ter falado pra ele “vai pra lá que eles vão entrar”. E ele foi. O carro entrou de ré e eu fiquei derretendo dentro do carro, enquanto minha mãe e minha amiga foram fazer companhia aos convidados. Ainda demorou alguns minutos, a fotógrafa me pediu pra fazer umas poses como se eu estivesse saindo do carro, e então começou. A música Love, de Kirk Franklin, foi a escolhida para a entrada do noivo e dos padrinhos. Nessa parte eu já tive um meio enfarte. Comecei a querer chorar, mas me segurava. Até que o tio do meu marido entrou no carro e falou: “Vamos lá”. Pronto. Comecei a tremer. O carro me deixou de frente para o corredor de flores, com o tapete vermelho, e avisei, apressada, ao meu irmão: “troca a música, troca a música”. Latika’s Song, da trilha sonora de Quem quer ser um milionário, me arrepiou inteira. Quando desci do carro, meu irmão pegou meu braço, minha mãe pousou a mão no meu ombro esquerdo (não tinha espaço pra eles dois irem ao meu lado no tapete), quis desabar no choro. Mas me segurei. Daí todas as minhas caretas nas fotos do desfile até o altar.

Não existia mais ninguém ali. As pessoas pareciam parte da decoração. Eu só conseguia enxergar ele lá no altar. Quando olhava para meu marido, também emocionado, também tentando conter lágrimas de felicidade, aí mesmo que queria chorar. Mas ficamos naquilo, nos fitando mutuamente até o momento em que, depois de cumprimentar minha mãe e meu irmão, ele me deu a mão, me conduziu ao altar e disse baixinho: “já pode beijar agora?” Rimos. E então ouvimos os ruídos emitidos pelos nossos quase 50 convidados se recompondo após nossa emocionante entrada. Todos os nossos convidados se emocionaram, e isso só tornou nosso casamento ainda mais íntimo. Todos compartilhamos aquele momento.

A cerimônia foi toda linda. Ninguém sofreu. A não ser com o calor, ninguém sofreu com o tempo de duração (menos de uma hora), nem com horas nos salões de beleza, nem com uma roupa desconfortável. Todos estavam à vontade, vestindo suas roupas comuns, como jeans, saias, vestidos floridos, sandálias rasteiras, e todos estavam, sobretudo, felizes por estar ali. Não tinha criança obrigada a usar a roupa alugada de daminha, nem parente de décimo grau devendo dinheiro. Estava lá quem queria estar conosco, quem pode estar. Não julgo quem não foi, até porque, nem todos os meus amigos de Brasília podiam comprar passagens e ficar fora por um final de semana, voltando domingo a noite ou mesmo segunda de manhã para casa. Ainda sobre os convidados, uma frase que li num blog de casamentos e nunca esqueci foi: “Casamento não é política. Convide apenas quem você realmente quer que esteja lá.” E assim foi.

A cerimônia foi linda e o padre fez um sermão que começava assim: A vida é arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida. Ele foi demais! Foi tudo perfeito. Repetindo o clichê, realmente foi o dia mais feliz da minha vida. E o meu marido disse que foi da dele também. Foi também o dia em que me senti mais linda e vigiada. O vestido da noiva é a grande novidade da caminhada até o altar. Depois disso, o tema é “como ela vai dançar com isso?” Minha escolha foi ótima, pois meu vestido, apesar de longo, não tinha cauda, nem véu, nem arrastava no chão. Pude circular à vontade e dançar sem problemas.

Bom, depois da cerimônia, posamos pra fotos sozinhos e com os convidados. Aquele momento modelo que eu nunca achei que teria. Mas foi muito legal. Ainda mais com o meu marido ao meu lado, me fazendo sorrir daquela maneira que só ele sabe. Nossas fotos estão bem naturais, os sorrisos, espontâneos, e até as poses mais artificiais nós conseguimos dar um toque todo nosso. O calor já estava diminuindo e o sol se pondo. A iluminação ficou muito romântica.

Depois das fotos, cortamos o bolo e fizemos nossa primeira dança, ao som de Leaving on a jet plane – bem significativo para um namoro à distância. O curioso é que combinamos milhões de músicas para essa dança, desde Lauryn Hill, passando por Nana Caymmi, até The Cranberries, mas, no final, fomos pra pista e dançamos o que estava tocando. Sem ninguém olhar. Foi um momento só nosso. Lindo. De conexão total com nossa história e sua transformação diante da nova fase de nossas vidas que estávamos inaugurando ali. Após aquele momento mágico, em que me senti como a Fiona se transformando finalmente em sua “forma do amor verdadeiro”, chamamos todo mundo pra dançar.

Ficamos na pista até umas 10 da noite, quando joguei o buquet e duas mulheres pegaram – uma amiga do noivo e uma amiga da noiva. A primeira ficou com mais da metade e a segunda pegou três florezinhas. Mesmo assim, é sinal de sorte, afinal, o buquet era de flores naturais e tava cheio de boas energias. Depois disso os convidados começaram a ir embora e a festa acabou.

Eu me perguntava, e ainda tem pessoas que me perguntam, “pra quê casar?” Eu não tinha a resposta pra essa pergunta antes de conhecer o meu marido. Eu não acreditava em muita coisa que hoje eu acredito. Não achava ser possível sentir muita coisa que hoje eu sinto. As pessoas se casam porque querem dormir e acordar todos os dias ao lado daquela pessoa; ter a visão daquele sorriso pelo máximo de tempo possível, e, melhor, ser motivo para aquela pessoa sorrir. As pessoas se casam porque se amam, e permanecerem juntas é o melhor que elas podem fazer pra isso continuar assim. Só sei que, naquele domingo, eu me senti a mulher mais linda e mais amada do mundo. E meu marido faz eu me sentir assim todos os dias. Talvez seja por isso que as pessoas se casam, afinal.

Meu relacionamento começou neste blog (longa história), e nada mais justo do que, também nesse blog, eu registrar esse momento, sobre aquele domingo, onde eu também entrei para a lista de eventos da família.



Escrito por Joceline Gomes às 20h17
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