Randômico


Tudo isso junto

A vida em movimento, mesmo estando parada

Semana de natal e ano novo na empresa. Das doze pessoas que deveriam estar aqui, tem três. A caixa de entrada do e-mail institucional? Parada. O telefone? Não toca. Pessoas entrando e saindo da sala? Não tem. Tudo parado. Tudo te força a ficar parado. Quieto. Pensando no ano que acaba e leva com ele coisas boas e ruins para uma lembrança fadada a iniciar ou terminar com “no ano passado”.

Antigamente, quando as pessoas não tinham nada para fazer, elas ficavam nas janelas, observando o movimento das ruas e comentando sobre os passantes. Comentando, leia-se: falando mal da vida alheia. Hoje, me flagrei com as mãos no queixo (como aquelas estátuas de interior que substituem pessoas reais que já estiveram naquela janela), olhando uma tela de computador inerte, sem informações novas nem logo do Windows passando no protetor de tela. Nada. Parada. E eu esperando alguma coisa acontecer. Mas nada acontecia. A não ser que me flagrei e fiquei com vergonha de mim mesma, de desperdiçar meu tempo diante de uma tela de computador parada enquanto tem uma vida inteira acontecendo lá fora. De ficar diante de uma tela de computador parada enquanto poderia estar lendo um livro. De ficar aqui, esperando algo, enquanto ideias e sentimentos fervem dentro de mim a ponto de meu coração bater descompassado.

Certa vez, ouvi uma amiga dizer que aquele jogo do copo, ou da caneta, que um suposto espírito guia a mão da pessoa para as respostas “sim” ou “não”, que todo mundo (menos eu) brincava quando era criança, era uma farsa. (ooooooohhh) Ela explicou: “é impossível você estar totalmente parado, sendo apenas guiado por uma força ou por outra pessoa. Seu coração bate, você respira, tem sangue circulando nas suas veias, você tem uma energia vital que é só sua e que circula a sua volta, tudo isso junto faz você se mexer, mesmo parado. Não é o “espírito” que guia sua mão. É você mesmo que está se mexendo na direção que tudo isso junto está indo.” Fiquei com isso na cabeça por tanto tempo que veio parar nesse texto agora.

“Tudo isso junto” que se mexe dentro de mim me diz que não posso ficar parada. Mas aqui estou. Diante de um computador, de uma sala vazia, um andar abaixo do solo, observando o nada. Uma tela onde nada acontece, enquanto a vida acontece lá fora. Se está fazendo sol ou chovendo, pouco importa. A vida é lá fora. Onde coisas que se mexem por conta própria estão fazendo algo para não ficarem paradas. Foi a minha intenção ao iniciar esse texto. Que não sei exatamente a que propósito serve. De qualquer forma, serviu ao menos para me tirar do marasmo. Me mostrar que ainda tenho algum movimento, afinal, e não apenas a passividade de observar uma tela parada, mas de perceber que meus pensamentos também se mexem, e que se movem em direção a esta tela, até então parada, antes de receber “tudo isso junto” que eu escrevi agora. Algum movimento aconteceu, afinal. Como gosto de dizer: Keep moving!



Escrito por Joceline Gomes às 17h37
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