Randômico


Vamos fazer alguma coisa!

Esperar alguém fazer ou falar que vai fazer não vale


Quinta-feira. Cheguei à rodoviária do plano piloto, o lugar mais imundo e horroroso de Brasília, daonde dá pra ver o Congresso Federal e todos aqueles prédios tortos de cartão postal (e daí?). Estou esperando o segundo ônibus que me levará para o meu primeiro local de trabalho, já que trabalho em dois lugares. Aquele barulho... acentuado pela porcaria de música da Rádio Rodoviária, como se ser pobre e pegar dois ônibus pra ir trabalhar não fosse ruim o suficiente. Mas, cadê os ônibus?? Tá certo que a gente já tá acostumado a esperar o ônibus por uma hora e que ele não tem hora marcada, mas não tem quase nenhum aqui. Eis então que a música do Calypso é interrompida por um trio elétrico, apitos e gritos de guerra. É o Movimento dos Sem Terra (MST), que chegou a Brasília numa passeata para uma reunião com um ministro. Eu saberia o nome do ministro, do ministério, do responsável pela reunião, mas não procurei e nem vou procurar. Deve ter isso em todos os outros jornais que vocês estão acostumados a ler. Mas meu texto não é sobre a reunião, nem sobre o MST, nem sobre o ministério. É sobre manifestações populares.

Com a baixaria no Senado na semana passada, muita gente ficou indignada e quis “fazer alguma coisa”. Aham, e aí? Fizeram? Com os atos secretos do Sarney, com o mensalão, muita gente ficou indignada e... e aí, fizeram “alguma coisa”? Eu só acho engraçado. Acredito num mundo melhor, acredito em muita utopia que às vezes só eu acredito, mas acredito ainda mais que muita gente é utópica por conveniência. É conveniente chegar e falar “Pessoal, precisamos fazer alguma coisa pelo Brasil! Vamos às ruas...” e uatchatcha. Mas ir, ninguém vai. Nem eu vou. Não me orgulho de dizer isso, mas pelo menos não reforço esse “fazer alguma coisa” da boca pra fora. “Se reunirmos muitas pessoas, somos mais do que eles, vamos lá!” E chegando lá, vai fazer o quê? Quebrar tudo como o MST fez algum tempo atrás, serem presos, espancados e humilhados pela opinião pública (entenda-se, pela grande mídia)?

Qual manifestação popular realmente funcionou? Olha só, vou esclarecer, não estudo história, tive péssimos professores dessa disciplina durante minha trajetória escolar e não me recordo de todas as principais, logo, não me cobrem precisão e acompanhem meu raciocínio. Sintam-se livres para discordar ou acrescentar eventos. Mas vamos lá. O impeachment do Collor é o mais recente e emblemático deles. Porém, não foi a opinião pública, os caras pintadas, quem botou o cara pra fora. Foi o Congresso. E SÓ o Congresso. Pressionado pelo povo? Talvez. Mas cheio de interesses particulares do caras lá de dentro.

O Sarney veio antes do Collor, lembram? Nossa, não é que ele continua lá dentro até hoje?? E agora, como presidente do Senado! Ou seja, se o Lula morrer, o Alencar morrer, o presidente da Câmara não puder assumir, o Sarney vira Presidente de novo, sabiam? Até convocarem as próximas eleições. E se fizerem um golpe de estado e ele virar presidente para sempre? Impossível?? Honduras viveu isso recentemente. Golpes não são coisas de um passado remoto ou de um povo atrasado. Aliás, acreditar que podemos reunir o povo como podíamos na década de 80 ou 90 é que acredito ser um pouco atrasado.

O contra argumento é: hoje temos a internet, o Twitter, o Orkut, podemos reunir milhares de pessoas com um clique, repassando e-mails. E aí? Reuniram pessoas? Reuniram sim. Num shopping aqui em Brasília fizeram um tal de “Frozen Day”, algo assim, onde vários jovens foram para o shopping, e ficaram numa posição “congelada” por 10 minutos no pátio central do prédio. Dez minutos. Congelados. Exatamente como o país está há mais de 500 anos. Parado no tempo. Isso reuniu umas mil pessoas. Sem contar aquelas que viam o troço acontecendo e se juntavam só pra fazer graça com os amigos. E o “Fora Sarney” não reúne ninguém. O “luto pelo diploma de jornalismo” não reúne ninguém. A história do mensalão, ninguém. Eu também não estava lá. Não tô falando de uma “massa” invisível da qual não faço parte como a maioria dos acadêmicos. Eu não estava lá. Eu tava trabalhando, em dois empregos, estudando, me informando pra ser alguém com uma cabeça melhor na hora de votar. Só a educação salva. Só e somente. Manifestar-se ajuda a mostrar o que te inquieta, o que te incomoda, mas não muda absolutamente nada enquanto quem está na posição de mudar alguma coisa não se mexe.

Voltando ao MST, há quanto tempo esses caras existem, reunidos, como um movimento? Mais de dez anos. Mais de dez anos lutando, se manifestando, quebrando coisas, invadindo terras, dando entrevistas, exigindo a reforma agrária. O que eles conseguiram até agora? A MP da Grilagem, que, ao contrário do que eles queriam, não deu terra a quem não tinha, ao contrário, fez com que mais pessoas pudessem comprar terras na Amazônia. Se não entendeu é porque talvez eu não tenha explicado direito, procura no Google que é melhor. Procure as informações por conta própria ao invés de esperar “alguém” fazer “alguma coisa”. Se todos fizerem isso na hora de votar ao invés de esperar a nova pesquisa Ibope pra ver quem tá ganhando, teríamos melhores representantes dentro da “casa do povo” não acham? Só eles podem de fato mudar alguma coisa. Mas só você pode colocá-los lá dentro. E aí, em quem você votou? No Clodovil? No Frank Aguiar? No Collor? Você acha que eles se importam se você quer tirar o Sarney? Você realmente acha? Em quem você vai votar no ano que vem?



Escrito por Joceline Gomes às 11h55
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Yes, eu falo palavrão

Também teriam dito no Senado, se pudesse...

Faz quase uma semana. Um barraco digno de novela mexicana no Senado Federal entre Fernando Collor, Pedro Simon, Arthur Virgilio e Renan Calheiros. Manoel Carlos não teria sequer pensado naquelas falas. Foi engraçado de se ver. Só evidenciou a baixaria que é aquele lugar e as pessoas que de lá fazem parte. Mas uma coisa me chamou a atenção. Em seu momento de ira, Collor disse a Simon: “sobre suas palavras, eu quero que o senhor as engula e as digira”.  Primeiro, eu acho que “digerir” não aceita esse modo verbal. Afinal, você não pode exigir que alguém “digira” alguma coisa... Mas posso estar errada.

Enfim, Manoel Carlos não teria pensado nessa palavra nem como nome de uma personagem do núcleo pobre da novela. Além disso, o que me fez refletir por algum tempo foi: Collor não queria mandar Simon “engolir e digerir” as palavras dele. Todo mundo sabe o que Collor teria dito se estivesse numa rodinha bar. “Ôo Simon, sabe o qui tu faz com essas palavras? Você pega elas e enfia no meio do olho do seu...” Fala se não é?? A cara de vilão do Castelo Rá-tim-bum que ele fez iria combinar certinho com essa pílula do “palavriado” popular.

Não, não tô aqui pra discutir se o Senado é uma palhaçada, se o povo de lá não tem moral, se tá tudo errado e nós devemos nos manifestar e levantar bandeiras e uatchatcha. Vou levar essa discussão surreal para outro nível. O que eu quero dizer é que um palavrão, nesse caso, seria mais esclarecedor do modo como o Ilustríssimo ladrão de poupanças, Collor, estava se sentindo.

Eu falo palavrão. Não tanto quanto algumas pessoas que conheço, não em todo lugar e em todas as situações, mas falo. E acho válido sabe? Não abusar, fala toda hora, usar como elogio, mas em alguns momentos somente um pesado e forte palavrão consegue expressar o que você realmente quer dizer. Palavrões são formas de expressão válidas que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com mais clareza.

Por exemplo: uma coisa é você estar com raiva. Outra coisa é você estar puto. Tá, que puto deixou de ser palavrão há algum tempo (deixou?) e que não se fala isso na TV (desde quando isso é critério pra alguma coisa?) mas uma pessoa com raiva não sente tanta raiva quanto alguém que tá puto. Quando você tá com raiva você diz: “poxa, to com raiva...” quando você tá puto, você diz: “Porra, to puto pra caralho!!!” Quem tá mais emputecido??? Tem outros mil casos que poderia citar aqui como exemplos, mas acredito que vocês já entenderam o recado. Até porque, não quero baixar o nível do meu blog também né? Eu gosto desse espaço aqui pra caralho!!



Escrito por Joceline Gomes às 13h15
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