Breakfast at Zara’s Não sou Bonequinha de Luxo, nem Audrey Hepburn. Fazer o quê? Sabe, sou uma grande fã de Sex and the City. O seriado sobre um quarteto de amigas ricas e poderosas em Nova York mexe com o imaginário das mulheres em algum momento. Mas tem uma coisa que realmente não me “apetece”. Não sou fã de liquidações, compras, sapatos, muito menos salto alto. Porém, como falei, essas coisas mexem com o seu imaginário. Dá uma vontade de ser colunista, só escrever sobre minha própria vida, ganhar muito dinheiro e gastar em coisas de grife. Mas, como pude confirmar ontem, isso não é pra mim. Vi um anúncio no Twitter (sim, estou lá) que dizia: a Zara tá em liquidação!!! (com muitas exclamações). Já ouvi falar dessa liquidação da Zara em outros momentos. Parece um grande acontecimento anual, sabe? Como a São Silvestre ou o Carnaval. Tá, não foi uma boa comparação, mas vocês entenderam. As pessoas chiques ou cool aguardam por esse momento ansiosamente. Confesso que sempre tive medo de entrar nessa loja. Sim, chamem-me de louca, whatever, mas sei lá, tudo parece tão... esnobe. Os manequins são esnobes, as vendedoras são esnobes, a fachada é esnobe. Eu sempre tive essa impressão de que até pra entrar eu precisaria pagar alguma “taxa por utilização desse espaço super chique”, de tão caras que são as peças da vitrine. Ou seja, nada parecia muito convidativo pra mim. Mas resolvi superar essas minhas barreiras e entrar na loja. Liquidação, auto estima baixa, TPM entre moderada e intensa... vamos superar esse medo né? Vamos lá. Beleza... a loja tem um buraco, assim, no meio. As araras de roupas são pelas paredes. Não é aquela zona encontrada na Otoch, que você pode tropeçar numa arara ao desviar-se de outra. Quanto menos pessoas pra circular no ambiente, mais espaço reservado... é a história do nosso país... mas enfim, essa “chiquesa” toda não impediu que houvesse os montinhos “tudo por tantos reais”. Só que os de lá eram assim: “tudo por R$49,40” (o mais barato, só camisetas básicas), “tudo por R$ 99,90”, “tudo por R$179,90”... e assim vai. Outra dimensão pra quem comprava calcinha aos montes na Beth e Lili quando era criança. Enfim, gostei de duas camisetas e peguei quatro calças para experimentar. Parênteses: tenho uma grande dificuldade pra comprar calças. Sempre levo 20 pro provador e termino não gostando de nenhuma. Comprar calças é tarefa pra se fazer sozinha e com bastante tempo livre. Era o caso ontem. Mas... Tá, chegando ao provador acionaram os alarmes: uma intrusa! Façam-na sentir-se mais constrangida do que ela já está se sentindo! Tá, deixa eu explicar essa piada podre que fiz agora. Aconteceu assim: a vendedora contou as calças, que estavam penduradas no meu braço esquerdo, mas esqueceu de contar as blusas, que eu estava segurando por baixo da pilha de calças. Então ela foi pegar aquela ficha com o número de peças (a deles é medonhamente grande por sinal) e eu disse “tem duas blusas também”. Ela simplesmente pegou a ficha com o número correto de peças, pegou meu braço direito, deixou em formato de arco, e passou as calças todas para esse braço. Sem me perguntar nada, sem alterar a expressão facial ou olhar nos meus olhos. Como se fosse um procedimento padrão que ela e todo mundo que freqüenta a loja já soubesse. Menos eu, que não freqüento a loja. E eu fiquei com aquela cara de “Oxi, pra quê?” Mas ela fez isso com uma doçura e leveza comparáveis apenas ao Schwazennegger em Exterminador do Futuro I. Tanto que o gancho do cabide bateu no meu queixo. Dei aquela risadinha de quem espera ouvir desculpas, mas nada. A atendente de tailleur preto e maquiagem impecável nem se abalou. Deve se achar muito importante porque trabalha numa loja tão importante onde só compra gente importante. Enfim, resolvi não deixar meus hormônios me subirem à cabeça. Afinal, vai que ela também estivesse na TPM? Fui provar as roupas. Até que estava disposta a pagar caro pra ter uma calça ou uma blusa da Zara, sabe? Mas acontece que nem eram as roupas que não serviram em mim. Sou eu que não sirvo para aquelas roupas. Parecia que eu tinha caído dentro delas por acidente numa queda muito feia e engraçada e todo mundo a minha volta estava rindo enquanto eu me levantava. Ficaram realmente péssimas. Sem contar as vozes nos provadores ao lado: “adorei essa blusa, Emma, ela me dá pescoço”. “Ficou bem em você, mãe, leva ela”. Ju-ro! O nome da filha da mulher sem pescoço era Emma! Rolou um momento “Calma, Joceline, rir agora não”. Sem contar o momento “Será que foi na época das Spice Girls??” Enfim, tentei tudo. Pra vocês verem meu estado de espírito, aconteceu de eu levar duas calças iguais pensando que eram diferentes. E experimentei as duas. E, óbvio, as duas ficaram péssimas. Coragem pra sair do provador né? Vai que a atendente tá ainda mais “doce” e resolve puxar meu cabelo porque eu não vou levar nada? Mas saí de cabeça erguida, entreguei as roupas e ela... nada. Nem olhar pra mim não olhou. De novo, né? Saí da loja com aquela sensação: era só isso? Só não tem arara em todo lado, nem promoção de três por R$ 10, mas tem a mesma falta de respeito que a maioria das vendedoras de roupas tem, principalmente de grife. Não que eu entenda disso né, mas posso dizer que elas poderiam ter, no mínimo, um pouco mais de gentileza, olhar nos olhos, dar um sorriso, falar um obrigada, qualquer coisa que demonstre alguma humanidade sabe? Não comprei nada e nem pretendo. Marca por marca, prefiro cortar as etiquetas, como eu faço sempre. Pinica as costas e não serve pra nada mesmo. Roupa é roupa. Quem usa é que atribui estilo ao que veste. Roupa de grife fora do meu estilo, isso sim, é que não serve.
Escrito por Joceline Gomes às 18h44
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